segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Anima


Dizem que o coração e a alma dos artistas
São lugares estranhos
Habitados por monstros terríveis
E contos de fadas,
Anjos negros e demónios…

Esta lua tenho alma de artista
E tenho a mente escrutinada por penas negras
Que fazem desmoronar o meu ser,
Onde ficou o meu coração nestas horas
Em que piso os estilhaços do meu ser
Em que passo os momentos mais difíceis do que sou
Sem nunca ser algo maior nem ganhar com o que perco…

Já me pareceu mais difícil, Renascer,
Se pode a Fénix erguer-se das cinzas
Também eu me poderei erguer?

Esses olhos Índigo fazem-me crer, acreditar,
Que dúvida… serás real?
Mais um anjo negro a temer…?
Carrego os escombros do que fui e procuro sobreviver…
Não me faças desmoronar outra vez…

Utopias

Olho para ti e procuro desvendar
O que se esconde nessas lagoas de águas claras
Não és perfeito, provavelmente,
Nem nada que provavelmente o pareça,
Mas és-me estranhamente pouco estranho
Quando sinto próximo o teu hálito
Quando sinto próxima a tua pele
Quando te tenho por perto a ti e os lampejos da tua alma…

Quem me dera deslindar o que se esconde
Onde esses olhos azuis começam
A perfeição é tão utópica como o amor
Mas sinto a tua presença como a peça
Que falta no puzzle do meu meio desmoronado mundo…

Como queria saber o que escondes
Por trás dessas íris de cascata
Apenas para saber que falar
Porque perdem-se-me as palavras
E sinto a imperfeição como um estado de alma
E tenho medo de tocar-te
Como se pudesses desmoronar-te
Como os castelos de espuma
Deixados pelas ondas revoltas do mar…

Palavra

Quando as palavras
São um fardo grande demais
O silêncio faz falta…
Tanta falta…

Fica o vazio cheio de palavras supérfluas…

Naqueles dias
em que toda a gente parece ter algo a dizer
e a alma anseia apenas por uma rocha solitária
com a brisa etérea do mar…

Isa Régia


O ar era irrespirável
O gelo cortava o ar como os traços de uma Isa régia
Que ordenavam um céu
…aberto de nuvens…
mas gelado como o ártico…

E eu olhava o céu vazio de respostas
Para essa tua estranha ausência
Para essa estranha aridez
Para essa terra árida que tu pisas
Sem reparar nesses estilhaços de chão

E sem respostas para as tuas duvidas deste um paço em frente
Andando para trás e roubando a tua imagem ao maior dos abismos…

Essências…

Nunca mudes
Nunca deixes que o alguém que te rodeia te mude
E mude o que de melhor há em ti
Ninguém merece a mudança da tua essência

O fogo que se apaixona pelas madeiras do mar
Torna-se azul e de aparência mais fria
Mas não é por isso que deixa de queimar
Ele é mais importante que as madeiras do mar
E eventualmente acaba por se extinguir.

As essências não se fazem de flores vulgares
Apenas os mais raros aromas fazem uma essência
E por isso, não mudes,
porque quando mudas passas a ser mais um se incógnito na turba,
mais um na multidão…
mais um perfume barato na bancada da feira…

E porque por mais Asas Negras que sejam cortadas
Os Anjos das Sombras não deixam de o ser
Apenas perdem a capacidade de Voar…

Onde moras?!


Não sei que raio de banha da cobra me vendeu a vida
Mas já não é tu quem eu conheci
Já não és a pessoa que eu admirei
Já não és tu…

Quem és tu que caminhas agora ao meu lado
Quem és tu que estás mais distante
Agora… que já estás perto… tão perto.
Quem és tu que me acompanhas
Se a alma que te anima não é a mesma
Quem és tu que voltas-te de tão longe
Se desiludes os caminhos por onde passas

E que faço eu, que te procuro numa morada onde já não moras…
Que fizeram à centelha de vida em teus olhos
E quem vive agora no local onde costumava morar a tua alma…

Ignorada


Se um dia fosses ignorada que seria
Que seria se te sentisses enganada
Se te sentisse traída…
Se te sentisses mais um vulto na penumbra
Se visses a luz do teu guia dissipar-se nas sombras…

Que escondem esses olhos na obscuridade?
Cheguei a acreditar que toda essa honestidade infantil
Escondesse uma alma inocente
Fosse uma característica plena…, total…
Mas afinal esses olhos escondem mais de que o que mostram.
Estarei errada?

Hoje a rejeição bateu a minha porta
E ontem, e no dia anterior,
E prolongou-se por estes 5 dias
que chegaram para testar a minha lealdade
E 5 dias passaram para a fazer cair…
…como cartas de um baralho…
Sofri a tua distância,
Adorei-te como um deus
e sofri na tua ausência…
E agora sinto-me sem rumo…
Onde estás tu e o que é que resta do teu ser original?
Pode ser que esteja eu cega
Mas já não consigo ver-te nesse corpo animado em que caminhas…

domingo, 30 de agosto de 2009

Fogo ou Gelo

Sinto-me, senti-me, sentir-me-ei,
como uma alma torturada nas tuas mãos,
um ser pequeno e frágil à tua mercê,
um ser pequeno e frágil desfeito de propósito,
Emaranhada nas redes da tua vontade...

A fragilidade das minhas decisões
impôs-se às minhas vontades,
aparentemente as minhas ânsias venceram nesta luta desleal,
e como uma marioneta infrinjo-me a mim própria sem sucesso,
emaranhada nessa teia dos teus frívulos enleios.

Aguardo o meu destino final,
Por setas de fogo ou estilhaços de gelo,
Eu, esta alma,
Serei destruída...

sábado, 7 de março de 2009

Diálogos com a solidão


A máscara permanece no lugar e eu estou só
A solidão pergunta se a vida é difícil
E eu respondo que sim
Quem me dera não ter tempo para lhe responder
Quem me dera não ter sequer tempo para pensar
Às vezes sinto, quem me dera por vezes não poder pensar de todo
E era tão mais fácil…

A solidão é cruel e é o meu espelho da verdade
É a solidão que me traz as noites em que penso e me angustio com o futuro
Ela pergunta-me se o futuro mete medo
Não, não mete medo, paralisa
Faz-me paralisar como se de veneno se tratasse
Que farei eu com os meus cordões umbilicais se tiver que partir
Que farei eu das promessas que é tarde demais para cumprir
Que farei eu com a avolumada saudade que começa já a preencher o meu peito
Que farei eu quando a dead-line chegar ao fim…

Para já apenas me sinto a nadar num mar de incertezas
Só a maresia já me traz a saudade… e eu não sei que fazer com ela.

Presa


Presa
A minha voz ressoa nas paredes escuras
Desta austera sala

Não sei o que sinto
Não sei o que sou
Já nem sei o que penso
Nem como pensei ser dona
Do dom de pensar

As paredes encardidas olham-me
Ameaçadoras, fatais…
Donas do destino de todas as almas.
E espero…

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Como explicar…



Como explicar o vazio que ficou dos acordes da tua viola
Como explicar o lugar onde deveria estar o teu sorriso
Como explicar o vazio
Como explicar que esta música me está a dar a volta aos miolos
Comptine d'une autre été : l'après-midi
Nem sei o que significa…

Só posso tentar explicar esta tua ausência
Esta aparente minha incapacidade de demonstrar como a sinto
E tu estás tão longe…

Esta aparente incapacidade de sair dos muros da minha alma
E dizer que a tua ausência aqui é tão grande
E eu tão insignificante face aos quilómetros que nos separam
E que estou tão orgulhosa por estares aí
E que me sinto tão pequenina…
E que sinto tanto a tua falta
E que me sinto tão orgulhosa… Madrinha

20 versos

Olho as fotos em silêncio
E elas trazem-me sorrisos teus vindos da distância do tempo
Não foi muito o tempo,
mas não é o tempo que dura o tempo que deixa marcas.

A minha viola olha-me apreensiva…
devia estar a esfolar os dedos
Não a escrever num teclado
Não a escrever, como se isso torna-se o tempo mais simples de passar

Nem sempre tenho a capacidade de escrever
Ou de explicar por palavras, ou por gestos, mesmo simples gestos
Por vezes os meus problemas de expressão são mais que muitos
São capazes de roçar o inimaginável

Como gostava de ser transparente e deixar transparecer
Em cada verso
Em cada frase
Em cada palavra
Aquilo que sinto e não sou capaz de expressar

E por vezes sinto-me assim…
E faço destas coisas… destas meias palavras que não podem ser chamadas poemas…
Em que 20 versos não dizem o que devia dizer uma só frase
Tenho saudades tuas…

Há dias

Há dias em que me sinto assim
Demasiado desperta para o mundo
Demasiado capaz desenvencilhar-me da minha fraca expressão
Demasiado capaz de rasgar este muro
Demasiado capaz de dizer o que tenho entalado na garganta
E são tantas coisas….

Sinto um torvelinho que não sei bem explicar
Ele enrola-se debaixo da garganta
Percorreu a minha alma e nestes estranhos dias quer sair
Como nos dias em que olho as fotografias
Nos dias em que a saudade me assola

Porque sim, também sinto saudade
Às vezes as lágrimas, traiçoeiras,
Correm de par em par por recordar a distância que nos separa
E é tão difícil…

E sei que não sou uma pessoa fácil
E que por vezes os meus problemas de expressão são mais que muitos
Sinto, sei que não sou a melhor pessoa a expressar-me por palavras
E restam as linhas que escrevo nestes dias para me explicar
Para explicar como me sinto
Uma vez que a boca se recusa a falar…
E o coração quer sair pela boca para ser livre…
E ser capaz de dizer que sinto muito a tua falta.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

The sound of silence


Here, the sound of silence linguers in the emptiness of my souls walls
Seems to be no more than a shadow
No more than the dusty powder of my missing heart
Floating, once carried by the perfect tender light of your presence.

And what am I to you now
My soul keeps asking to the dark hollow skies
What am I to you in this whole big world?
I keep asking in, lost in my own despair of dark daughter of shadows
Was I ever anything at all

Never carried around it, but I’m curious now
And I hold on my cold wall of ice for eternity
And you will be on the other side, forever
Waiting for something or someone that doesn’t exist anymore

Isentas

Deixo a saudade transparecer
Envolta em minhas asas que como mantas de orvalho
Deixam cair pequenas pétalas embrutecidas

Perdida aos olhos do mundo
Perco os olhos em mil tormentas sem rumo
E as almas perdem-se num enleio profundo

Centenários como só os olhos do sábio
Os espinhos velam, embora sem querer
Velam esse lugar estranho
Onde tudo existe sem saber

Insónia esse estranho mundo risonho
Utopia essa, mundo de sonho
Ou pesadelo de mil estrelas então
Como não?
Ser escravo de mil estranhas tormentas
De mil e uma almas penadas, isentas

Guitarra

Oh guitarra que me olhas
Oh guitarra guitarra
Que gozas meus dedos sem jeito
Que contento é esse que te dá
Nesse dengoso enleio

Oh guitarras que me olhas com a pena
Dos centenários anos de mestria
Oh guitarra que não acerto
Tua doce e singela melodia

Porque me olhas com teus trinados
E eu não te consigo tocar
Nem a esses Fás malvados
Que me tentam desvairar

Mas espera-me. Hei-de lá chegar.

Em vão


Perguntam-me quem sou, o que sou, o que faço…
Curiosos, para que o querem saber?
se no fim não passo de uma mera sombra...
A uns respondo que sou enfermeira
com formação pré-hospitalar, adiciono para outros
Sou cantora… respondo bailarina, actriz, amadora
licenciada…
A outros respondo que sou funcionária
E é mais que o que merecem saber
Procuram honras, glórias, títulos
Todos se vendem e se compram pelos titulo que tem
Mas nenhum deles acaba por ter resposta às suas próprias perguntas
Quem sou eu, o que sou, o que faço?

À minha volta as pessoas parecem acotovelar-se
Como se o mundo não fosse suficientemente grande
Como se o mundo não fosse suficiente para albergar todas as pessoas
Como se se desvanecessem por verem suas glórias desvanecerem-se em vão...