quarta-feira, 17 de março de 2010

Guiada


Hoje a Verdade assolou-me a alma
Deixei-me levar por ela
Atordoada pela sua nébula
Despi-me de preconceitos e calei a minha mente.
Era só eu, ela, e o que ela me queria mostrar
E ela mostrou-me o teu rosto….

Por vezes a vida tolda-nos o discernimento
E a mente com os seus esquemas racionais controla-nos o coração,
Passamos a ser autómatos.
Mas hoje, guiada pela Verdade,
Vi verdades que só a Verdade me podia mostrar
E ela mostrou-me a tua aura…

A hipocrisia há muito domina corações,
Faz-nos lembrar quantas vezes amamos, quantas perdemos,
Faz-nos acreditar que temos que nos proteger
Para não sofrer, para não voltar a cair ao abismo.
Mas era Verdade que me guiava hoje
E ela mostrou-me os teus olhos…
E eu perdi-me neles… E segui os caminhos da verdade…

A verdade...


A Verdade das coisas por vezes escapa-me

Porém, outras vezes,

Inebria-me de tão flagrante que parece escrita

a letras garrafais de um néon brilhante,

paira inocentemente por cima das nossas cabeças,

tão clara,

tão gritante,

tão negligenciada… que ninguém a vê…


Minhas mãos procuram as tuas,

Vazias,

A alma luta contra a mente,

Ávida de gritar aos 7 ventoso teu nome,

Destrói-se-me o mundo em brechas de agonia

O coração há muito calado salta como se não houvesse amanhã

No silêncio, só o perfume inebriante dos teus olhos,

Só a chama intoxicante da tua alma…

Entro em alvoroço…

E como tu, pretendo não ver a Verdade…


Somos assim, tu e eu…

Duas Verdades colossais

que se vêem com olhos capazes de mover montanhas

de derreter os corações dos titãs…

E mesmo assim

Mantemos-nos separados… como dois imãns…

Dois imãns de pólos opostos

apostados em quebrar as leis da gravidade….

E nós, seres finitos, terrenos,

Limitados pelo tempo e pela hipocrisia,

Negamos o néctar vindo dos deuses,

E caminhamos separados as margens traiçoeiras do Tártarus…