sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Medo


A dúvida... A dúvida consome...
Por mais que defendas que sim
o que escreveste não é de todo claro.
A verdade escondida dessas tuas palavras
Não sei o que pensar, o que sentir
ou se ainda sou capaz de sentir de todo...

E é tao difícil
O Medo...
O Medo que tudo assola
...que tudo nega...
...que tudo veda...
...o medo que não é resposta...
O Medo que ainda assim
e ao mesmo tempo
Teima em responder por mim
Teima em sufocar
Teima em turvar toda a presença de sentir...

E eu olho para estas letras sem saber que pensar...
Debaixo da minha pele...
...só quero ser livre...
...livre do medo...
...livre de ser este ser inanimado incapaz de sonhar...
...livre e ser capaz de acreditar...
...livre e ser capaz de amar...
Só quero ser assim, LIVRE, leva.-me o medo por favor...

terça-feira, 19 de julho de 2011

Numb



Há dias assim
em que não me sinto, não me sei
em que olho pela janela e vejo apenas um enorme vazio de nada
em que tudo são crenças vãs e avaliações fúteis
em que me sinto demasiado despojada de mim própria até para sentir...

Há dias em que parece que o sol nasceu ao contrário 
e a gravidade apenas para pesar na minha cabeça
dias em que não sei porque estou, onde estou 
ou ate se vale a pena estar...

Há dias em que sou só assim, um ser amorfo despejado de ser
que vê os dias a passar como se o fado comanda-se o leme
e deixo-me só estar, só ser esta ínfima parcela de mim
demasiado dormente para sequer sentir...

Paranóia Musical


A música
Aquela energia miudinha
a borbulhar por baixo da pele,
É sede, é fome, 
É azeda, é doce, é agridoce
Aquela estática que não se explica
A vontade que não se entende
Aquela ânsia de querer mais
De ser mais
De fazer mais
O som, preso na garganta,
O grito da alma silênciada,
É mais, é sempre mais,
É querer sempre mais
É uma ânsia mesquinha
Que corroi e que se entranha
Que nos leva, nos estranha,
É sentimento que corre nas veias
Que faz suar, que nos leva o folego,
Esta energia animada
Que deixa em chamas as minhas terminações nervosas, 
Esta frustração perfeccionista
que invade, que conquista
Encolhem-se os dedos por mais um acorde
Mais uma nota, mais uma,
Mais algo para cantar, gritar se for preciso, 
Mas não posso, já passa das 10 e é probido
E esta ânsia não me abandona, e o nervoso miudinho não para,
E só ouvir pequeno demais para tanta energia parcamente contida
E quero mais, sempre mais, e ouvir mais, e cantar mais, 
E gritar, do fundo dos pulmões e bem alto...
E quero mais, sempre mais, sempre e eternamente mais...

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Amadeus

Entro nestas quatro paredes e confesso que a melancolia me assola
Falta-lhes alma
Não uma alma patente de lugar
Mas uma alma de gente
Gente que por aqui passou e já há muito não vê este lugar
De quando as cores eram menos brilhantes, mais sombrias
Faltam os sons, os risos despropositados e a música, ai música…

Aquela música que começava bem lá em cima
Ainda em frente à capela
Que era trauteada pelas ruas abaixo sem dó nem piedade
Podiam acordar as pombas nos ninhos
E dentro de casa os vizinhos
E nos levávamos a nossa música pela rua direita a baixo
Como que ébrios pelos aromas da nossa melodia…

Passávamos o banco de Portugal,
A música atroava as ruas como trovões sem reino
O polícia franzia o sobrolho e ameaçava o desacato
Mas nós prosseguíamos
E trazíamos a música a estas paredes
E elas sorriam para nós e acolhiam a nossa canção vagabunda
Como um pai acolhe o seu filho em casa
Pois não se chamasse ele Amadeus
E não trouxéramos nós tantas vezes o seu Requiem
Com o Dies Irae trovejado aos céus vazios
O magoado Lacrimosa
O crente Kyrie, e fomos sempre recebidos com um sorriso
O sorriso de quem cuida de crianças traquinas…

E agora? Agora as paredes são as mesmas,
Pintadas de branco novo e vermelho
Foram-se as cadeiras duras
Vieram sofás, os sorrisos são os mesmos..
E Amadeus olha-me expectante a espera da sua mestra melodia
E eu, olho de volta, e não sei o que dizer
A melodia perdeu-se as pedras da calçada porque todos a esqueceram
A rua direita dorme, o banco fechou,
E até já nem o polícia já vigia aquelas paragens …

sábado, 18 de dezembro de 2010

Lete, o rio do esquecimento


Dizem-me que a vida é complicada
Que temos que erguer a cabeça
Lutar
Mas é tão dificil...
Era tão mais facil entregar as armas
Viver ao sabor do vento
Pendurar as arpas junto ao rio Lete
e deixar-nos levar pela ignorância...

E é tão facil falar
Falar daquilo que não se sabe
Daquilo que nao se passou
É tão fácil suportar a dor dos outros
A dor que os outros carregam
A dor que não me pesa
mas a minha pesa tanto...

Pesa tanto como cada um de voces que me faltam
Tanto como os ciclopes pesaram nas suas epopeias
Tanto como os gigantes que pisaram a terra...

E com olhos suplicantes despeço-me
Dos ceus e desta terra que é a minha
E vejo-a cada vez mais longe
...embrulho o meu coração num pedaço de cartão torturado...
...atiro-o para dentro de uma caixinha fechada...
...engulo a dor e a magoa...
...e sigo em frente mais uma vez.

Pandora


A neve cai lá fora
parte-se em gelo meu coração
em mil pedaços de um vidro
despojado de calor...

Lembro-me de vocês
De todos
Dos momentos em que a vida fazia sentido
Em que tudo fazia sentido
Porque somos todos mais de que cada um sozinho...

Agora olho sozinha os flocos que caem lá fora
E a dor é tão grande que o meu coração parece uma almofada de agulhas
Cada uma dolorosamente espetada
Cada uma a traspaçar-me os pedaços destroçados da minha alma...

A musica, suave, triste
Dá o mote nestes momentos esquecidos
Pequenas lagrimas deixam os meus olhos
E alojam-se no lago frio onde existiu meu coração...
Na minha caixa de Pandora...

Todos falam, todos opinam
Todos me abafam e azocrinam
Todos tem algo a dizer sobre aquilo que só eu sinto
Porque só eu o vivo neste labirinto...

Deixem-me, quero deprimir
Quero enrolar-me num cobertor e fingir que não existo
Fingir que morri para o mundo e a minha concha ficou para trás
Só a minha concha despojada de tudo...

Quero gritar contra as montanhas despidas a minha raiva
Esta raiva imensa contra esta vida malograda
Quero amaldiçoar a oportunidade e a solidariedade e o fado
E soltar este negro imenso que é hoje a minha alma...

Quero soltar tornados e canhões
Abram as águas do tártarus e as portas do hades se for preciso
Mas deixem-me só, porque hoje sou eu só assim, uma alma penada,
Hoje vivo só eu, movida pela auto-comiseração
E tenho o direito de deprimir sozinha a um canto
Com o cataclismo que é hoje a minha alma...

Gelo...


Hoje não sei...
...acordei assim...
Meio desesperada para poder compreender o mundo
Ele pesa as minhas costas
Desmorona a cada segundo
e a cada segundo destrói
mais um pedaço de mim...

E sinto-me assim nesta decadência
em que não sei
nem sei o que saber sobre o saber de mim...

E o vazio, o vazio é tão grande...
...e a ausência...
A ausência é como uma claustrofobia imensa
...num dia de nevoeiro...
...omnipresente...
Viva como um monstro que consome
Que devora
Que corrói e destrói a minha sanidade...

Dizem que tudo fica melhor com o tempo
Mas a cada dia ela aumenta
Esta ausência omnipresente de tudo
Esta ausência omnipresente de todos
Esta ausência omnipresente colectiva de tudo o que alimenta a vida
E a minha alma fica cada vez mais assim,
Como um árido deserto de gelo
Feito de mil vidros desmoronados...

sexta-feira, 14 de maio de 2010

A ti, Manel

Dia 1 de Maio de 2010



Hoje que se aproxima o aniversário da tua partida
tenho que te pedir desculpa, meu amigo,
não fui capaz de honrar a tua partida com a minha presença,
não fui capaz de vislumbrar o que restava do teu ser,
não fui capaz de encarar a tua ultima morada,
e encontra-la vazia de vida....

Hoje que se aproxima o primeiro aniversário
desde que nos deixas-te,
peço desculpa pela minha cobardia,
por não me ter despedido da concha da tua alma,
por ter sido incapaz de te honrar com um ultimo adeus...

e esperar que,
onde quer que esteja essa chama imortal
que nos deixa na hora da morte,
esta seja capaz de perdoar a frivolidade da alma
saudosa deste amiga de infância.

A ti Manel,
Porque nem a distancia
nem a morte
podem apagar a memória...

A ti,
Porque nem a distancia
nem a morte
podem apagar eterna e cruel saudade de alguém que partiu demasiado cedo...

A ti,
Porque enquanto te recordar-mos
e acarinhar-mos a tua memória,
não terás partido...

E viverás eternamente no coração dos que ficaram...


quarta-feira, 17 de março de 2010

Guiada


Hoje a Verdade assolou-me a alma
Deixei-me levar por ela
Atordoada pela sua nébula
Despi-me de preconceitos e calei a minha mente.
Era só eu, ela, e o que ela me queria mostrar
E ela mostrou-me o teu rosto….

Por vezes a vida tolda-nos o discernimento
E a mente com os seus esquemas racionais controla-nos o coração,
Passamos a ser autómatos.
Mas hoje, guiada pela Verdade,
Vi verdades que só a Verdade me podia mostrar
E ela mostrou-me a tua aura…

A hipocrisia há muito domina corações,
Faz-nos lembrar quantas vezes amamos, quantas perdemos,
Faz-nos acreditar que temos que nos proteger
Para não sofrer, para não voltar a cair ao abismo.
Mas era Verdade que me guiava hoje
E ela mostrou-me os teus olhos…
E eu perdi-me neles… E segui os caminhos da verdade…

A verdade...


A Verdade das coisas por vezes escapa-me

Porém, outras vezes,

Inebria-me de tão flagrante que parece escrita

a letras garrafais de um néon brilhante,

paira inocentemente por cima das nossas cabeças,

tão clara,

tão gritante,

tão negligenciada… que ninguém a vê…


Minhas mãos procuram as tuas,

Vazias,

A alma luta contra a mente,

Ávida de gritar aos 7 ventoso teu nome,

Destrói-se-me o mundo em brechas de agonia

O coração há muito calado salta como se não houvesse amanhã

No silêncio, só o perfume inebriante dos teus olhos,

Só a chama intoxicante da tua alma…

Entro em alvoroço…

E como tu, pretendo não ver a Verdade…


Somos assim, tu e eu…

Duas Verdades colossais

que se vêem com olhos capazes de mover montanhas

de derreter os corações dos titãs…

E mesmo assim

Mantemos-nos separados… como dois imãns…

Dois imãns de pólos opostos

apostados em quebrar as leis da gravidade….

E nós, seres finitos, terrenos,

Limitados pelo tempo e pela hipocrisia,

Negamos o néctar vindo dos deuses,

E caminhamos separados as margens traiçoeiras do Tártarus…

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Anima


Dizem que o coração e a alma dos artistas
São lugares estranhos
Habitados por monstros terríveis
E contos de fadas,
Anjos negros e demónios…

Esta lua tenho alma de artista
E tenho a mente escrutinada por penas negras
Que fazem desmoronar o meu ser,
Onde ficou o meu coração nestas horas
Em que piso os estilhaços do meu ser
Em que passo os momentos mais difíceis do que sou
Sem nunca ser algo maior nem ganhar com o que perco…

Já me pareceu mais difícil, Renascer,
Se pode a Fénix erguer-se das cinzas
Também eu me poderei erguer?

Esses olhos Índigo fazem-me crer, acreditar,
Que dúvida… serás real?
Mais um anjo negro a temer…?
Carrego os escombros do que fui e procuro sobreviver…
Não me faças desmoronar outra vez…

Utopias

Olho para ti e procuro desvendar
O que se esconde nessas lagoas de águas claras
Não és perfeito, provavelmente,
Nem nada que provavelmente o pareça,
Mas és-me estranhamente pouco estranho
Quando sinto próximo o teu hálito
Quando sinto próxima a tua pele
Quando te tenho por perto a ti e os lampejos da tua alma…

Quem me dera deslindar o que se esconde
Onde esses olhos azuis começam
A perfeição é tão utópica como o amor
Mas sinto a tua presença como a peça
Que falta no puzzle do meu meio desmoronado mundo…

Como queria saber o que escondes
Por trás dessas íris de cascata
Apenas para saber que falar
Porque perdem-se-me as palavras
E sinto a imperfeição como um estado de alma
E tenho medo de tocar-te
Como se pudesses desmoronar-te
Como os castelos de espuma
Deixados pelas ondas revoltas do mar…

Palavra

Quando as palavras
São um fardo grande demais
O silêncio faz falta…
Tanta falta…

Fica o vazio cheio de palavras supérfluas…

Naqueles dias
em que toda a gente parece ter algo a dizer
e a alma anseia apenas por uma rocha solitária
com a brisa etérea do mar…

Isa Régia


O ar era irrespirável
O gelo cortava o ar como os traços de uma Isa régia
Que ordenavam um céu
…aberto de nuvens…
mas gelado como o ártico…

E eu olhava o céu vazio de respostas
Para essa tua estranha ausência
Para essa estranha aridez
Para essa terra árida que tu pisas
Sem reparar nesses estilhaços de chão

E sem respostas para as tuas duvidas deste um paço em frente
Andando para trás e roubando a tua imagem ao maior dos abismos…

Essências…

Nunca mudes
Nunca deixes que o alguém que te rodeia te mude
E mude o que de melhor há em ti
Ninguém merece a mudança da tua essência

O fogo que se apaixona pelas madeiras do mar
Torna-se azul e de aparência mais fria
Mas não é por isso que deixa de queimar
Ele é mais importante que as madeiras do mar
E eventualmente acaba por se extinguir.

As essências não se fazem de flores vulgares
Apenas os mais raros aromas fazem uma essência
E por isso, não mudes,
porque quando mudas passas a ser mais um se incógnito na turba,
mais um na multidão…
mais um perfume barato na bancada da feira…

E porque por mais Asas Negras que sejam cortadas
Os Anjos das Sombras não deixam de o ser
Apenas perdem a capacidade de Voar…

Onde moras?!


Não sei que raio de banha da cobra me vendeu a vida
Mas já não é tu quem eu conheci
Já não és a pessoa que eu admirei
Já não és tu…

Quem és tu que caminhas agora ao meu lado
Quem és tu que estás mais distante
Agora… que já estás perto… tão perto.
Quem és tu que me acompanhas
Se a alma que te anima não é a mesma
Quem és tu que voltas-te de tão longe
Se desiludes os caminhos por onde passas

E que faço eu, que te procuro numa morada onde já não moras…
Que fizeram à centelha de vida em teus olhos
E quem vive agora no local onde costumava morar a tua alma…

Ignorada


Se um dia fosses ignorada que seria
Que seria se te sentisses enganada
Se te sentisse traída…
Se te sentisses mais um vulto na penumbra
Se visses a luz do teu guia dissipar-se nas sombras…

Que escondem esses olhos na obscuridade?
Cheguei a acreditar que toda essa honestidade infantil
Escondesse uma alma inocente
Fosse uma característica plena…, total…
Mas afinal esses olhos escondem mais de que o que mostram.
Estarei errada?

Hoje a rejeição bateu a minha porta
E ontem, e no dia anterior,
E prolongou-se por estes 5 dias
que chegaram para testar a minha lealdade
E 5 dias passaram para a fazer cair…
…como cartas de um baralho…
Sofri a tua distância,
Adorei-te como um deus
e sofri na tua ausência…
E agora sinto-me sem rumo…
Onde estás tu e o que é que resta do teu ser original?
Pode ser que esteja eu cega
Mas já não consigo ver-te nesse corpo animado em que caminhas…

domingo, 30 de agosto de 2009

Fogo ou Gelo

Sinto-me, senti-me, sentir-me-ei,
como uma alma torturada nas tuas mãos,
um ser pequeno e frágil à tua mercê,
um ser pequeno e frágil desfeito de propósito,
Emaranhada nas redes da tua vontade...

A fragilidade das minhas decisões
impôs-se às minhas vontades,
aparentemente as minhas ânsias venceram nesta luta desleal,
e como uma marioneta infrinjo-me a mim própria sem sucesso,
emaranhada nessa teia dos teus frívulos enleios.

Aguardo o meu destino final,
Por setas de fogo ou estilhaços de gelo,
Eu, esta alma,
Serei destruída...

sábado, 7 de março de 2009

Diálogos com a solidão


A máscara permanece no lugar e eu estou só
A solidão pergunta se a vida é difícil
E eu respondo que sim
Quem me dera não ter tempo para lhe responder
Quem me dera não ter sequer tempo para pensar
Às vezes sinto, quem me dera por vezes não poder pensar de todo
E era tão mais fácil…

A solidão é cruel e é o meu espelho da verdade
É a solidão que me traz as noites em que penso e me angustio com o futuro
Ela pergunta-me se o futuro mete medo
Não, não mete medo, paralisa
Faz-me paralisar como se de veneno se tratasse
Que farei eu com os meus cordões umbilicais se tiver que partir
Que farei eu das promessas que é tarde demais para cumprir
Que farei eu com a avolumada saudade que começa já a preencher o meu peito
Que farei eu quando a dead-line chegar ao fim…

Para já apenas me sinto a nadar num mar de incertezas
Só a maresia já me traz a saudade… e eu não sei que fazer com ela.

Presa


Presa
A minha voz ressoa nas paredes escuras
Desta austera sala

Não sei o que sinto
Não sei o que sou
Já nem sei o que penso
Nem como pensei ser dona
Do dom de pensar

As paredes encardidas olham-me
Ameaçadoras, fatais…
Donas do destino de todas as almas.
E espero…

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Como explicar…



Como explicar o vazio que ficou dos acordes da tua viola
Como explicar o lugar onde deveria estar o teu sorriso
Como explicar o vazio
Como explicar que esta música me está a dar a volta aos miolos
Comptine d'une autre été : l'après-midi
Nem sei o que significa…

Só posso tentar explicar esta tua ausência
Esta aparente minha incapacidade de demonstrar como a sinto
E tu estás tão longe…

Esta aparente incapacidade de sair dos muros da minha alma
E dizer que a tua ausência aqui é tão grande
E eu tão insignificante face aos quilómetros que nos separam
E que estou tão orgulhosa por estares aí
E que me sinto tão pequenina…
E que sinto tanto a tua falta
E que me sinto tão orgulhosa… Madrinha

20 versos

Olho as fotos em silêncio
E elas trazem-me sorrisos teus vindos da distância do tempo
Não foi muito o tempo,
mas não é o tempo que dura o tempo que deixa marcas.

A minha viola olha-me apreensiva…
devia estar a esfolar os dedos
Não a escrever num teclado
Não a escrever, como se isso torna-se o tempo mais simples de passar

Nem sempre tenho a capacidade de escrever
Ou de explicar por palavras, ou por gestos, mesmo simples gestos
Por vezes os meus problemas de expressão são mais que muitos
São capazes de roçar o inimaginável

Como gostava de ser transparente e deixar transparecer
Em cada verso
Em cada frase
Em cada palavra
Aquilo que sinto e não sou capaz de expressar

E por vezes sinto-me assim…
E faço destas coisas… destas meias palavras que não podem ser chamadas poemas…
Em que 20 versos não dizem o que devia dizer uma só frase
Tenho saudades tuas…

Há dias

Há dias em que me sinto assim
Demasiado desperta para o mundo
Demasiado capaz desenvencilhar-me da minha fraca expressão
Demasiado capaz de rasgar este muro
Demasiado capaz de dizer o que tenho entalado na garganta
E são tantas coisas….

Sinto um torvelinho que não sei bem explicar
Ele enrola-se debaixo da garganta
Percorreu a minha alma e nestes estranhos dias quer sair
Como nos dias em que olho as fotografias
Nos dias em que a saudade me assola

Porque sim, também sinto saudade
Às vezes as lágrimas, traiçoeiras,
Correm de par em par por recordar a distância que nos separa
E é tão difícil…

E sei que não sou uma pessoa fácil
E que por vezes os meus problemas de expressão são mais que muitos
Sinto, sei que não sou a melhor pessoa a expressar-me por palavras
E restam as linhas que escrevo nestes dias para me explicar
Para explicar como me sinto
Uma vez que a boca se recusa a falar…
E o coração quer sair pela boca para ser livre…
E ser capaz de dizer que sinto muito a tua falta.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

The sound of silence


Here, the sound of silence linguers in the emptiness of my souls walls
Seems to be no more than a shadow
No more than the dusty powder of my missing heart
Floating, once carried by the perfect tender light of your presence.

And what am I to you now
My soul keeps asking to the dark hollow skies
What am I to you in this whole big world?
I keep asking in, lost in my own despair of dark daughter of shadows
Was I ever anything at all

Never carried around it, but I’m curious now
And I hold on my cold wall of ice for eternity
And you will be on the other side, forever
Waiting for something or someone that doesn’t exist anymore

Isentas

Deixo a saudade transparecer
Envolta em minhas asas que como mantas de orvalho
Deixam cair pequenas pétalas embrutecidas

Perdida aos olhos do mundo
Perco os olhos em mil tormentas sem rumo
E as almas perdem-se num enleio profundo

Centenários como só os olhos do sábio
Os espinhos velam, embora sem querer
Velam esse lugar estranho
Onde tudo existe sem saber

Insónia esse estranho mundo risonho
Utopia essa, mundo de sonho
Ou pesadelo de mil estrelas então
Como não?
Ser escravo de mil estranhas tormentas
De mil e uma almas penadas, isentas

Guitarra

Oh guitarra que me olhas
Oh guitarra guitarra
Que gozas meus dedos sem jeito
Que contento é esse que te dá
Nesse dengoso enleio

Oh guitarras que me olhas com a pena
Dos centenários anos de mestria
Oh guitarra que não acerto
Tua doce e singela melodia

Porque me olhas com teus trinados
E eu não te consigo tocar
Nem a esses Fás malvados
Que me tentam desvairar

Mas espera-me. Hei-de lá chegar.

Em vão


Perguntam-me quem sou, o que sou, o que faço…
Curiosos, para que o querem saber?
se no fim não passo de uma mera sombra...
A uns respondo que sou enfermeira
com formação pré-hospitalar, adiciono para outros
Sou cantora… respondo bailarina, actriz, amadora
licenciada…
A outros respondo que sou funcionária
E é mais que o que merecem saber
Procuram honras, glórias, títulos
Todos se vendem e se compram pelos titulo que tem
Mas nenhum deles acaba por ter resposta às suas próprias perguntas
Quem sou eu, o que sou, o que faço?

À minha volta as pessoas parecem acotovelar-se
Como se o mundo não fosse suficientemente grande
Como se o mundo não fosse suficiente para albergar todas as pessoas
Como se se desvanecessem por verem suas glórias desvanecerem-se em vão...

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

As asas pesam


Hoje sou um quadro
Um pintor de arte inigualável
Molho meus pincéis em minha alma
E deixo o traço pintar minha tela

Renasci de algo sombrio, algo profundo
Apenas minhas asas permanecem negras
como uma marca, uma cicatriz
a lembrar o pesadelo que vivi…

A Fénix teve asas para renascer
A alma pode por fim respirar
E por fim liberta, das amarras que a prendiam às tormentas
Pode voar livre como nunca deveria ter deixado de ser…