Todos falam, todos opinam
Todos me abafam e azocrinam
Todos tem algo a dizer sobre aquilo que só eu sinto
Porque só eu o vivo neste labirinto...
Deixem-me, quero deprimir
Quero enrolar-me num cobertor e fingir que não existo
Fingir que morri para o mundo e a minha concha ficou para trás
Só a minha concha despojada de tudo...
Quero gritar contra as montanhas despidas a minha raiva
Esta raiva imensa contra esta vida malograda
Quero amaldiçoar a oportunidade e a solidariedade e o fado
E soltar este negro imenso que é hoje a minha alma...
Quero soltar tornados e canhões
Abram as águas do tártarus e as portas do hades se for preciso
Mas deixem-me só, porque hoje sou eu só assim, uma alma penada,
Hoje vivo só eu, movida pela auto-comiseração
E tenho o direito de deprimir sozinha a um canto
Com o cataclismo que é hoje a minha alma...
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